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     Poetas Portugueses

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    Maria Ernestina Carvalho
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 9:55 pm

    Ó retrato da morte! Ó Noite amiga

    Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
    Por cuja escuridão suspiro há tanto!
    Calada testemunha de meu pranto,
    De meus desgostos secretária antiga!

    Pois manda Amor que a ti sòmente os diga
    Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
    Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
    Dorme a cruel que a delirar me obriga.

    E vós, ó cortesãos da escuridade,
    Fantasmas vagos, mochos piadores,
    Inimigos, como eu, da claridade!

    Em bandos acudi aos meus clamores;
    Quero a vossa medonha sociedade,
    Quero fartar o meu coração de horrores.


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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 9:56 pm

    Meu ser evaporei na luta insana

    Meu ser evaporei na luta insana
    Do tropel de paixões que me arrastava:
    Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
    Em mim quasi imortal a essência humana!

    De que inúmeros sóis a mente ufana
    Existência falaz me não dourava!
    Mas eis sucumbe Natureza escrava
    Ao mal, que a vida em sua origem dana.

    Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
    Esta alma, que sedenta em si não coube,
    No abismo vos sumiu dos desenganos

    Deus, ó Deus!... quando a morte a luz me roube,
    Ganhe um momento o que perderam anos,
    Saiba morrer o que viver não soube.


    Bocage
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 9:58 pm

    Das terras a pior tu és, ó Goa

    Das terras a pior tu és, ó Goa,
    Tu pareces mais ermo que cidade,
    Mas alojas em ti maior vaidade
    Que Londres, que Paris ou que Lisboa.

    A chusma de teus íncolas pregoa
    Que excede o Grão Senhor na qualidade;
    Tudo quer senhoria; o próprio frade
    Alega, para tê-la, o jus da c'roa!

    De timbres prenhe estás; mas oiro e prata
    Em cruzes, com que dantes te benzias,
    Foge a teus infanções de bolsa chata.

    Oh que feliz e esplêndida serias,
    Se algum fusco Merlim, que faz bagata,
    Te alborcasse a pardaus as senhorias!


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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 10:00 pm

    Quer ver uma perdiz chocar um rato

    Quer ver uma perdiz chocar um rato,
    Quer ensinar a um burro anatomia,
    Exterminar de Goa a senhoria,
    Ouvir miar um cão, ladrar um gato;

    Quer ir pescar um tubarão no mato,
    Namorar nos serralhos da Turquia,
    Escaldar uma perna em água fria,
    Ver um cobra castiçar co'um pato;

    Quer ir num dia de Surrate a Roma,
    Lograr saúde sem comer dois anos,
    Salvar-se por milagre de Mafoma;

    Quer despir a bazófia aos Castelhanos,
    Das penas infernais fazer a soma,
    Quem procura amizade em vis gafanos.


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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 10:53 pm

    Visão Realizada

    Sonhei que a mim correndo o gnídeo nume
    Vinha coa Morte, co Ciúme ao lado,
    E me bradava: <Queres a Morte, ou queres o Ciúme?
    >>Não é pior daquela fouce o gume
    Que a ponta dos farpões que tens provado;
    Mas o monstro voraz, por mim criado,
    Quanto horror há no Inferno em si resume.>>
    Disse; e eu dando um suspiro: <Coa a vista dessa fúria!... Amor, clemência!
    Antes mil mortes, mil infernos antes!>>
    Nisto acordei com dor, com impaciência;
    E não vos encontrando, olhos brilhantes,
    Vi que era a minha morte a vossa ausência!

    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Mar 16, 2010 12:07 am

    Perguntei à Natureza
    No seu alcançar sublime,
    Qual era o mais torpe crime
    Que infectava a redondeza?
    Ela, que meus cultos preza,
    E me franqueia o altar,
    Respondeu-me a prantear,
    Exalando um ai ansioso:
    - Ah! É o mais criminoso
    Quem pode deixar de amar!

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Mar 16, 2010 12:09 am

    Ó trevas que enlutais a Natureza

    Ó trevas, que enlutais a Natureza,
    Longos ciprestes desta selva anosa,
    Mochos de voz sinistra e lamentosa,
    Que dissolveis dos fados a incerteza;

    Manes, surgidos da morada acesa
    Onde de horror sem fim Plutão se goza,
    Não aterreis esta alma dolorosa,
    Que é mais triste que voz minha tristeza.

    Perdi o galardão da fé mais pura,
    Esperanças frustrei do amor mais terno,
    A posse de celeste formosura.

    Volvei, pois, sombras vãs, ao fogo eterno;
    E, lamentando a minha desventura,
    Movereis à piedade o mesmo Inferno.


    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Mar 16, 2010 1:46 am

    JÁ BOCAGE NÃO SOU.....

    Já Bocage não sou!... À cova escura
    Meu estro vai parar desfeito em vento...
    Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
    Leve me torne sempre a terra dura.


    Conheço agora já quão vã figura
    Em prosa e verso fez meu louco intento.
    Musa!... Tivera algum merecimento,
    Se um raio da razão seguisse, pura!


    Eu me arrependo; a língua quase fria
    Brade em alto pregão à mocidade,
    Que atrás do som fantástico corria:


    Outro Aretino fui... A santidade
    Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
    Rasga meus versos, crê na eternidade!

    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qui Mar 18, 2010 7:59 pm

    Camões, grande Camões, quão semelhante

    Camões, grande Camões, quão semelhante
    Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!
    Igual causa nos fez, perdendo o Tejo,
    Arrostar co'o sacrílego gigante.

    Como tu, junto ao Ganges sussurante,
    Da penúria cruel no horror me vejo.
    Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
    Também carpindo estou, saudoso amante.

    Ludíbrio, como tu, da Sorte dura
    Meu fim demando ao Céu, pela certeza
    De que só terei paz na sepultura.

    Modelo meu tu és, mas... oh, tristeza!...
    Se te imito nos transes da Ventura,
    Não te imito nos dons da Natureza.


    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 22, 2010 7:18 am

    Ser doido-alegre, que maior ventura!
    Morrer vivendo p'ra além da verdade.
    É tão feliz quem goza tal loucura
    Que nem na morte crê, que felicidade!

    Encara, rindo, a vida que o tortura,
    Sem ver na esmola, a falsa caridade,
    Que bem no fundo é só vaidade pura,
    Se acaso houver pureza na vaidade.

    Já que não tenho, tal como preciso,
    A felicidade que esse doido tem
    De ver no purgatório um paraíso...

    Direi, ao contemplar o seu sorriso,
    Ai quem me dera ser doido também
    P'ra suportar melhor quem tem juízo.

    António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 22, 2010 2:01 pm

    Nos campos o vilão sem susto passa

    Nos campos o vilão sem susto passa
    inquieto na corte o nobre mora;
    o que é ser infeliz aquele ignora,
    este encontra nas pompas a desgraça;

    aquele canta e ri, não se embaraça
    com essas coisas vãs que o mundo adora;
    este (oh cega ambição!) mil vezes chora,
    porque não acha bem que o satisfaça;

    aquele dorme em paz no chão deitado,
    este no ebúrneo leito precioso
    nutre, exaspera velador cuidado,

    triste, sai do palácio majestoso.
    Se hás-de ser cortesão mas desgraçado,
    anter ser camponês e venturoso.

    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 22, 2010 2:03 pm

    Sanhudo, inexorável Despotismo

    Sanhudo, inexorável Despotismo
    Monstro que em pranto, em sangue a fúria cevas,
    Que em mil quadros horríficos te enlevas,
    Obra da Iniquidade e do Ateísmo:

    Assanhas o danado Fanatismo,
    Porque te escore o trono onde te enlevas;
    Por que o sol da Verdade envolva em trevas
    E sepulte a Razão num denso abismo.

    Da sagrada Virtude o colo pisas,
    E aos satélites vis da prepotência
    De crimes infernais o plano gizas,

    Mas, apesar da bárbara insolência,
    Reinas só no ext'rior, não tiranizas
    Do livre coração a independência

    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 22, 2010 2:05 pm

    Incultas produções da mocidade

    Incultas produções da mocidade
    Exponho a vossos olhos, ó leitores:
    Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,
    Que elas buscam piedade, e não louvores:

    Ponderai da Fortuna a variedade
    Nos meus suspiros, lágrimas e amores;
    Notai dos males seus a imensidade,
    A curta duração de seus favores:

    E se entre versos mil de sentimento
    Encontrardes alguns cuja aparência
    Indique festival contentamento,

    Crede, ó mortais, que foram com violência
    Escritos pela mão do Fingimento,
    Cantados pela voz da Dependência.

    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Mar 24, 2010 8:57 pm

    Apenas vi do dia a luz brilhante

    Apenas vi do dia a luz brilhante
    Lá de Túbal no empório celebrado,
    Em sanguíneo carácter foi marcado
    Pelos Destinos meu primeiro instante.

    Aos dois lustros a morte devorante
    Me roubou, terna mãe, teu doce agrado;
    Segui Marte depois, e em fim meu fado
    Dos irmãos e do pai me pôs distante.

    Vagando a curva terra, o mar profundo,
    Longe da pátria, longe da ventura,
    Minhas faces com lágrimas inundo.

    E enquanto insana multidão procura
    Essas quimeras, esses bens do mundo,
    Suspiro pela paz da sepultura.

    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 29, 2010 8:13 pm

    Neste horrível sepulcro da existência

    Neste horrível sepulcro da existência
    O triste coração de dor se parte;
    A mesquinha razão se vê sem arte,
    Com que dome a frenética impaciência:

    Aqui pela opressão, pela violência
    Que em todos os sentidos se reparte,
    Transitório poder que imitar-te,
    Eterna, vingadora omnipotência!

    Aqui onde o peito abrange, e sente,
    Na mais ampla expressão acha estreiteza,
    Negra idéia do abismo assombra a mente.

    Difere acaso da infernal tristeza
    Não ver terra, nem céu, nem mar, nem gente,
    Ser vivo, e não gozar da Natureza ?

    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Mar 31, 2010 12:06 am


    Antero de Quental

     


    O nome de Antero de Quental (Ponta Delgada, 18/IV/1842 - 11/IX/1891, ib.) tornou-se no símbolo de uma geração (a Geração de 70 ou a Geração de Antero) e é referência obrigatória na poesia, no ensaio filosófico e literário, no jornalismo, mas também nas lutas pela liberdade de pensamento e pela justiça social, onde se afirmou como ideólogo destacado.
    Os Sonetos de Antero, o seu primeiro livro de poesia, data de 1860, e em 1865 publica Odes Modernas, obra por si caracterizada como "a voz da Revolução", resultante da aliança entre o naturalismo hegeliano e o humanismo radical francês de Michelet, Renan e Proudhon.


    O Que Diz A Morte

    Deixai-os vir a mim, os que lidaram;
    Deixai-os vir a mim, os que padecem;
    E os que cheios de mágoa e tédio encaram
    As próprias obras vãs, de que escarnecem...

    Em mim, os Sofrimentos que não saram,
    Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.
    As torrentes da Dor, que nunca param,
    Como num mar, em mim desaparecem. -

    Assim a Morte diz. Verbo velado,
    Silencioso intérprete sagrado
    Das cousas invisíveis, muda e fria,

    É, na sua mudez, mais retumbante
    Que o clamoroso mar; mais rutilante,
    Na sua noite, do que a luz do dia.

    Antero de Quental

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Mar 31, 2010 12:09 am

    Na Mão De Deus

    Na mão de Deus, na sua mão direita,
    Descansou afinal meu coração.
    Do palácio encantado da Ilusão
    Desci a passo e passo a escada estreita.

    Como as flores mortais, com que se enfeita
    A ignorância infantil, despôjo vão,
    Depus do Ideal e da Paixão
    A forma transitória e imperfeita.

    Como criança, em lôbrega jornada,
    Que a mãe leva ao colo agasalhada
    E atravessa, sorrindo vagamente,

    Selvas, mares, areias do deserto...
    Dorme o teu sono, coração liberto,
    Dorme na mão de Deus eternamente!

    Antero de Quental

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Mar 31, 2010 12:50 am

    Evolução

    Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
    tronco ou ramo na incógnita floresta...
    Onda, espumei, quebrando-me na aresta
    Do granito, antiquíssimo inimigo...

    Rugi, fera talvez, buscando abrigo
    Na caverna que ensombra urze e giesta;
    O, monstro primitivo, ergui a testa
    No limoso paul, glauco pascigo...

    Hoje sou homem, e na sombra enorme
    Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
    Que desce, em espirais, da imensidade...

    Interrogo o infinito e às vezes choro...
    Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
    E aspiro unicamente à liberdade.

    Antero de Quental

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qui Abr 01, 2010 6:16 pm

    Oceano Nox

    Junto do mar, que erguia gravemente
    A trágica voz rouca, enquanto o vento
    Passava como o vôo do pensamento
    Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

    Junto do mar sentei-me tristemente,
    Olhando o céu pesado e nevoento,
    E interroguei, cismando, esse lamento
    Que saía das coisas, vagamente...

    Que inquieto desejo vos tortura,
    Seres elementares, força obscura?
    Em volta de que idéia gravitais?

    Mas na imensa extensão, onde se esconde
    O Inconsciente imortal, só me responde
    Um bramido, um queixume, e nada mais...

    Antero de Quental

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Abr 06, 2010 11:19 pm

    Nocturno

    Espírito que passas, quando o vento
    Adormece no mar e surge a Lua,
    Filho esquivo da noite que flutua,
    Tu só entendes bem o meu tormento...

    Como um canto longínquo - triste e lento-
    Que voga e sutilmente se insinua,
    Sobre o meu coração que tumultua,
    Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...

    A ti confio o sonho em que me leva
    Um instinto de luz, rompendo a treva,
    Buscando, entre visões, o eterno Bem.

    E tu entendes o meu mal sem nome,
    A febre de Ideal, que me consome,
    Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

    Antero de Quental

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Abr 09, 2010 11:37 pm

    Lacrimae Rerum

    Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,
    Quantas vezes tenho eu interrogado
    Teu verbo, teu oráculo sagrado,
    Confidente e intérprete da Sorte!

    Aonde são teus sóis, como corte
    De almas inquietas, que conduz o Fado?
    E o homem porque vaga desolado
    E em vão busca a certeza que o conforte?

    Mas, na pompa de imenso funeral,
    Muda, a noite, sinistra e triunfal,
    Passa volvendo as horas vagarosas...

    É tudo, em torno a mim, dúvida e luto;
    E, perdido num sonho imenso, escuto
    O suspiro das coisas tenebrosas...

    Antero de Quental

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Abr 16, 2010 9:36 pm

    O Palácio da Ventura

    Sonho que sou um cavaleiro andante.
    Por desertos, por sóis, por noite escura,
    Paladino do amor, busco anelante
    O palácio encantado da Ventura!

    Mas já desmaio, exausto e vacilante,
    Quebrada a espada já, rota a armadura...
    E eis que súbito o avisto, fulgurante
    Na sua pompa e aérea formosura!

    Com grandes golpes bato à porta e brado:
    Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
    Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!

    Abrem-se as portas d'ouro com fragor...
    Mas dentro encontro só, cheio de dor,
    Silêncio e escuridão - e nada mais!

    Antero de Quental

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Abr 23, 2010 12:28 am

    Transcedentalismo

    Já sossega, depois de tanta luta,
    Já me descansa em paz o coração.
    Caí na conta, enfim, de quanto é vão
    O bem que ao Mundo e à Sorte se disputa.

    Penetrando, com fronte não enxuta,
    No sacrário do templo da Ilusão,
    Só encontrei, com dor e confusão,
    Trevas e pó, uma matéria bruta...

    Não é no vasto Mundo - por imenso
    Que ele pareça à nossa mocidade -
    Que a alma sacia o seu desejo intenso...

    Na esfera do invisível, do intangível,
    Sobre desertos, vácuo, soledade,
    Voa e paira o espírito impassível!

    Antero de Quental

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    Humor : muita calma nessa horal

    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Abr 26, 2010 12:56 am

    UMA AMIGA

    Aqueles que eu amei,não sei que vento
    os dispersou no mundo,que os não vejo...
    Estendo os braços e nas trevas beijo
    Visões que a noite evoca o sentimento...


    Outros me causam mais cruel tormento
    Que a saudade dos mortos...que eu invejo...
    Passam por mim...mas como que teem pejo
    Da minha soledade e abatimento!


    Daquela primavera venturosa
    Não resta uma flor só,uma só rosa...
    Tudo o vento varreu,queimou o gelo!

    Tu só foste fiel-Tu, como dantes,
    Inda volves teus olhos radiantes...
    Para ver meu mal...e escarnece-lo!

    ANTERO DE QUENTAL
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Abr 28, 2010 1:57 pm

    A um poeta

    Tu que dormes, espírito sereno,
    Posto à sombra dos cedros seculares,
    Como um levita à sombra dos altares,
    Longe da luta e do fragor terreno.

    Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno
    Afugentou as larvas tumulares...
    Para surgir do seio desses mares
    Um mundo novo espera só um aceno...

    Escuta! É a grande voz das multidões!
    São teus irmãos, que se erguem! São canções...
    Mas de guerra... e são vozes de rebate!

    Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
    E dos raios de luz do sonho puro,
    Sonhador, faze espada de combate!

    Antero de Quental

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Abr 28, 2010 2:00 pm

    NIRVANA

    Para além do Universo luminoso,
    Cheio de formas, de rumor, de lida,
    De forças, de desejos e de vida,
    Abre-se como um vácuo tenebroso.

    A onda desse mar tumultuoso
    Vem ali expirar, esmaecida…
    Numa imobilidade indefinida
    Termina ali o ser, inerte, ocioso…

    E quando o pensamento, assim absorto,
    Emerge a custo desse mundo morto
    E torna a olhar as coisas naturais,

    A bela luz da vida, ampla, infinita,
    Só vê com tédio, em tudo quanto fita,
    A ilusão e o vazio universais.

    Antero de Quental

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qui Abr 29, 2010 11:11 pm

    Pequenina

    Eu bem sei que te chamam pequenina
    E ténue como o véu solto na dança
    Que és no juízo apenas a criança,
    Pouco mais, nos vestidos, que a menina...

    Que és o regato de água mansa e fina,
    A folhinha do til que se balança,
    O peito que em correndo logo cansa,
    A fronte que ao sofrer logo se inclina...

    Mas, filha, lá nos montes onde andei,
    Tanto me enchi de angústia e de receio
    Ouvindo do infinito os fundos ecos,

    Que não quero imperar nem já ser rei
    Senão tendo meus reinos em teu seio
    E súbditos, criança, em teus bonecos!

    Antero de Quental

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