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     Poetas Portugueses

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    Isabel Santos
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    MensagemAssunto: Fernando Pessoa   Qua Fev 10, 2010 10:18 pm

    Olá Tina,

    Quem não conhece Fernando Pessoa? Mas tudo bem aqui vai a foto.



    E mais um poema que os jovens do secundário gostam muito





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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 10:32 pm

    Fernando Pessoa, um dos expoente máximos do modernismo no século XX, considerava-se a si mesmo um «nacionalista místico».
    Nasceu Fernando António Nogueira Pessoa em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1888, filho de Maria Madalena Pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa.
    A juventude é passada em Lisboa, alegremente, até à morte do pai em 1893 e do irmão Jorge no ano seguinte. Estes acontecimentos, em conjunto com o facto de sua mãe ter conhecido o cônsul de Portugal em Durban, levam-no a viajar para a África do Sul. Aí vive entre 1896 e 1905. À vivência nesse país da Commonwealth pode atribuir-se uma influência decisiva ao nível cultural e intelectual, pondo-o em contacto com os grandes autores de língua inglesa.
    O Regresso a Portugal, com 17 anos, é feito com o intuito de frequentar o curso de Letras. Mas com o fracasso do curso (frequentou-o poucos meses), governa-se apenas com o seu grande conhecimento da língua inglesa, trabalhando com diversos escritórios em Lisboa em assuntos de correspondência comercial.
    Ficou sobretudo conhecido como grande prosador do modernismo (ou futurismo) em Portugal. Expressando-se tanto com o seu próprio nome, como através dos seus heterónimos. Entre estes ficaram famosos três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
    Fernando Pessoa morre a 30 de Novembro de 1935, de uma grave crise hepática induzida por anos de consumo de álcool, no hospital de S. Luís. Em vida apenas publicou um livro em Português: o poema épico Mensagem, deixando um vasto espólio que ainda hoje não foi completamente analisado e publicado.
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 10:34 pm

    Teus Olhos Entristecem

    Teus olhos entristecem
    Nem ouves o que digo.
    Dormem, sonham esquecem...
    Não me ouves, e prossigo.

    Digo o que já, de triste,
    Te disse tanta vez...
    Creio que nunca o ouviste
    De tão tua que és.

    Olhas-me de repente
    De um distante impreciso
    Com um olhar ausente.
    Começas um sorriso.

    Continuo a falar.
    Continuas ouvindo
    O que estás a pensar,
    Já quase não sorrindo.

    Até que neste ocioso
    Sumir da tarde fútil,
    Se esfolha silencioso
    O teu sorriso inútil.

    Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 11:12 pm

    O que Me Dói não É

    O que me dói não é
    O que há no coração
    Mas essas coisas lindas
    Que nunca existirão...

    São as formas sem forma
    Que passam sem que a dor
    As possa conhecer
    Ou as sonhar o amor.

    São como se a tristeza
    Fosse árvore e, uma a uma,
    Caíssem suas folhas
    Entre o vestígio e a bruma.

    Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 11:13 pm

    Sorriso Audível das Folhas


    Sorriso audível das folhas
    Não és mais que a brisa ali
    Se eu te olho e tu me olhas,
    Quem primeiro é que sorri?
    O primeiro a sorrir ri.

    Ri e olha de repente
    Para fins de não olhar
    Para onde nas folhas sente
    O som do vento a passar
    Tudo é vento e disfarçar.

    Mas o olhar, de estar olhando
    Onde não olha, voltou
    E estamos os dois falando
    O que se não conversou
    Isto acaba ou começou?

    Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 11:15 pm

    Liberdade

    Ai que prazer
    Não cumprir um dever,
    Ter um livro para ler
    E não fazer!
    Ler é maçada,
    Estudar é nada.
    Sol doira
    Sem literatura
    O rio corre, bem ou mal,
    Sem edição original.
    E a brisa, essa,
    De tão naturalmente matinal,
    Como o tempo não tem pressa...

    Livros são papéis pintados com tinta.
    Estudar é uma coisa em que está indistinta
    A distinção entre nada e coisa nenhuma.

    Quanto é melhor, quanto há bruma,
    Esperar por D.Sebastião,
    Quer venha ou não!

    Grande é a poesia, a bondade e as danças...
    Mas o melhor do mundo são as crianças,

    Flores, música, o luar, e o sol, que peca
    Só quando, em vez de criar, seca.

    Mais que isto
    É Jesus Cristo,
    Que não sabia nada de finanças
    Nem consta que tivesse biblioteca...

    Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 11:16 pm

    Não Digas Nada!


    Não digas nada!
    Nem mesmo a verdade
    Há tanta suavidade em nada se dizer
    E tudo se entender —
    Tudo metade
    De sentir e de ver...
    Não digas nada
    Deixa esquecer

    Talvez que amanhã
    Em outra paisagem
    Digas que foi vã
    Toda essa viagem
    Até onde quis
    Ser quem me agrada...
    Mas ali fui feliz
    Não digas nada.

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 11:17 pm

    Pobre Velha Música!


    Pobre velha música!
    Não sei por que agrado,
    Enche-se de lágrimas
    Meu olhar parado.

    Recordo outro ouvir-te,
    Não sei se te ouvi
    Nessa minha infância
    Que me lembra em ti.

    Com que ânsia tão raiva
    Quero aquele outrora!
    E eu era feliz? Não sei:
    Fui-o outrora agora.

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    MensagemAssunto: Fernando Pessoa   Qui Fev 11, 2010 10:45 pm




    Estátua de Fernando Pessoa no café A Brasileira, localizado junto ao Largo do Chiado, em Lisboa.


    Pessoa, para além de poeta, foi um grande pensador, um grande filósofo. Escreveu poemas com conteúdos completamente díspares, atribuindo a sua autoria a vários heterónimos que ele criou. Mas foi ainda mais longe, para cada um desses heterónimos, ele imaginou uma biografia de forma a harmonizá-la com o conteúdo desses poemas. Enfim, uma forma perfeita de demonstrar que o pensamento de cada ser humano está inexoravelmente ligado à sua vivência.

    Um dos heterónimos de Fernando Pessoa é Álvaro de Campos...


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    MensagemAssunto: ALMEIDA GARRETTT   Ter Fev 16, 2010 3:00 pm

    ALMEIDA GARRETT



    João Baptista da Silva Leitão de Almeida e mais tarde visconde de Almeida Garrett, (Port, 4 de Fevereiro de 1799Lisboa, 9 de Dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português.
    Grande impulsionador do
    teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.

    Na poesia, Garrett não foi menos inovador. As duas coletâneas publicadas na última fase da sua vida (Flores sem fruto, de 1844, e sobretudo Folhas caídas, de 1853) introduziram uma espontaneidade e uma simplicidade praticamente desconhecidas na poesia portuguesa anterior.

    Ao lado de poemas de exaltada expressão pessoal surgem pequenas obras-primas de singeleza ímpar como «Pescador da barca bela», próximas da poesia popular quando não das cantigas medievais.


    Barca Bela

    Pescador da barca bela,
    Onde vais pescar com ela.
    Que é tão bela,
    Oh pescador?


    Não vês que a última estrela
    No céu nublado se vela?

    Colhe a vela,
    Oh pescador!


    Deita o lanço com cautela,
    Que a sereia canta bela...
    Mas cautela,
    Oh pescador!


    Não se enrede a rede nela,
    Que perdido é remo e vela
    Só de vê-la,
    Oh pescador.


    Pescador da barca bela,
    Inda é tempo, foge dela
    Foge dela
    Oh pescador!

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Fev 16, 2010 3:09 pm

    DESTINO

    Quem disse à estrela o caminho
    Que ela há-de seguir no céu?
    A fabricar o seu ninho
    Como é que a ave aprendeu?
    Quem diz à planta – “Floresce!” -
    E ao mudo verme que tece
    Sua mortalha de seda
    Os fios quem lhos enreda?
    Ensinou alguém à abelha
    Que no prado anda a zumbir
    Se à flor branca ou à vermelha
    O seu mel há-de ir pedir?
    Que eras tu meu ser, querida,
    Teus olhos a minha vida,
    Teu amor todo o meu bem…
    Ai! não mo disse ninguém.
    Como a abelha corre ao prado,
    Como no céu gira a estrela,
    Como a todo o ente o seu fado
    Por instinto se revela,
    Eu no teu seio divino
    Vim cumprir o meu destino…
    Vim, que em ti só sei viver,
    Só por ti posso morrer.

    Almeida Garrett

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Fev 16, 2010 3:55 pm

    Seus Olhos

    Seus olhos --- se eu sei pintar
    O que os meus olhos cegou ---
    Não tinham luz de brilhar.
    Era chama de queimar;
    E o fogo que a ateou
    Vivaz, eterno, divino,
    Como facho do Destino.

    Divino, eterno! --- e suave
    Ao mesmo tempo: mas grave
    E de tão fatal poder,
    Que, num só momento que a vi,
    Queimar toda alma senti...
    Nem ficou mais de meu ser,
    Senão a cinza em que ardi.


    Almeida Garrett

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 17, 2010 10:48 pm

    As Minhas Asas

    Eu tinha umas asas brancas,
    Asas que um anjo me deu,
    Que, em me eu cansando da terra,
    Batia-as, voava ao céu.

    — Eram brancas, brancas, brancas,
    Como as do anjo que mas deu:
    Eu inocente como elas,
    Por isso voava ao céu.
    Veio a cobiça da terra,
    Vinha para me tentar;
    Por seus montes de tesouros
    Minhas asas não quis dar.
    — Veio a ambição, co'as grandezas,
    Vinham para mas cortar,
    Davam-me poder e glória;
    Por nenhum preço as quis dar.

    Porque as minhas asas brancas,
    Asas que um anjo me deu,
    Em me eu cansando da terra,
    Batia-as, voava ao céu.

    Mas uma noite sem lua
    Que eu contemplava as estrelas,
    E já suspenso da terra,
    Ia voar para elas,
    — Deixei descair os olhos
    Do céu alto e das estrelas...
    Vi entre a névoa da terra,
    Outra luz mais bela que elas.

    E as minhas asas brancas,
    Asas que um anjo me deu,
    Para a terra me pesavam,
    Já não se erguiam ao céu.

    Cegou-me essas luz funesta
    De enfeitiçados amores...
    Fatal amor, negra hora
    Foi aquela hora de dores!

    — Tudo perdi nessa hora
    Que provei nos seus amores
    O doce fel do deleite,
    O acre prazer das dores.

    E as minhas asas brancas,
    Asas que um anjo me deu,
    Pena a pena me caíram...
    Nunca mais voei ao céu.

    Almeida Garrett

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Fev 26, 2010 1:25 am

    Beleza

    Vem do amor a Beleza,
    Como a luz vem da chama.
    É lei da natureza:
    Queres ser bela? - ama.

    Formas de encantar,
    Na tela o pincel
    As pode pintar;
    No bronze o buril
    As sabe gravar;
    E estátua gentil
    Fazer o cinzel
    Da pedra mais dura...
    Mas Beleza é isso? - Não; só formosura.

    Sorrindo entre dores
    Ao filho que adora
    Inda antes de o ver
    - Qual sorri a aurora
    Chorando nas flores
    Que estão por nascer –
    A mãe é a mais bela das obras de Deus.
    Se ela ama! - O mais puro do fogo dos céus
    Lhe ateia essa chama de luz cristalina:

    É a luz divina
    Que nunca mudou,
    É luz... é a Beleza
    Em toda a pureza
    Que Deus a criou.

    Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Mar 02, 2010 1:54 am

    A um Amigo

    Fiel ao costume antigo,
    Trago ao meu jovem amigo
    Versos próprios deste dia.
    E que de os ver tão singelos,
    Tão simples como eu, não ria:
    Qualquer os fará mais belos,
    Ninguém tão d’alma os faria.

    Que sobre a flor de seus anos
    Soprem tarde os desenganos;
    Que em torno os bafeje amor,
    Amor da esposa querida,
    Prolongando a doce vida
    Fruto que suceda à flor.

    Recebe este voto, amigo,
    Que eu, fiel ao uso antigo,
    Quis trazer-te neste dia
    Em poucos versos singelos.
    Qualquer os fará mais belos,
    Ninguém tão d’alma os faria.

    Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Dom Mar 07, 2010 3:25 pm

    Os Cinco Sentidos

    São belas - bem o sei, essas estrelas,
    Mil cores - divinais têm essas flores;
    Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:
    Em toda a natureza
    Não vejo outra beleza
    Senão a ti - a ti!

    Divina - ai! sim, será a voz que afina
    Saudosa - na ramagem densa, umbrosa.
    será; mas eu do rouxinol que trina
    Não oiço a melodia,
    Nem sinto outra harmonia
    Senão a ti - a ti!

    Respira - n'aura que entre as flores gira,
    Celeste - incenso de perfume agreste,
    Sei... não sinto: minha alma não aspira,
    Não percebe, não toma
    Senão o doce aroma
    Que vem de ti - de ti!

    Formosos - são os pomos saborosos,
    É um mimo - de néctar o racimo:
    E eu tenho fome e sede... sequiosos,
    Famintos meus desejos
    Estão... mas é de beijos,
    É só de ti - de ti!

    Macia - deve a relva luzidia
    Do leito - ser por certo em que me deito.
    Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
    Sentir outras carícias,
    Tocar noutras delícias
    Senão em ti! - em ti!

    A ti! ai, a ti só os meus sentidos
    Todos num confundidos,
    Sentem, ouvem, respiram;
    Em ti, por ti deliram.
    Em ti a minha sorte,
    A minha vida em ti;
    E quando venha a morte,
    Será morrer por ti.

    Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sab Mar 13, 2010 12:50 am

    Preito

    É lei do tempo, Senhora,
    Que ninguém domine agora
    E todos queiram reinar.
    Quanto vale nesta hora
    Um vassalo bem sujeito,
    Leal de homenage e preito
    E fácil de governar?

    Pois o tal sou eu, Senhora:
    E aqui juro e firmo agora
    Que a um despótico reinar
    Me rendo todo nesta hora,
    Que a liberdade sujeito...
    Não a reis! - outro é meu preito:
    Anjos me hão-de governar.

    Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 6:15 pm

    Rosa Pálida

    Rosa pálida, em meu seio
    Vem, querida, sem receio
    Esconder a aflita cor.
    Ai!, a minha pobre rosa!
    Cuida que é menos formosa
    Porque desbotou de amor.

    Pois sim... quando livre, ao vento,
    Solta de alma e pensamento,
    Forte de tua isenção,
    Tinhas na folha incendida
    O sangue, o calor e a vida
    Que ora tens no coração.

    Mas não eras, não, mais bela,
    Coitada, coitada dela,
    A minha rosa gentil!
    Coravam-na então desejos,
    Desmaiam-na agora os beijos...
    Vales mais mil vezes, mil.

    Inveja das outras flores!
    Inveja de quê, amores?
    Tu, que vieste dos Céus,
    Comparar tua beleza
    Às filhas da natureza!
    Rosa, não tentes a Deus.

    E vergonha!... de quê, vida?
    Vergonha de ser querida,
    Vergonha de ser feliz!
    Porquê?... porquê em teu semblante
    A pálida cor da amante
    A minha ventura diz?

    Pois, quando eras tão vermelha
    Não vinha zângão e abelha
    Em torno de ti zumbir?
    Não ouvias entre as flores
    Histórias dos mil amores
    Que não tinhas, repetir?

    Que hão-de eles dizer agora?
    Que pendente e de quem chora
    É o teu lânguido olhar?
    Que a tez fina e delicada
    Foi, de ser muito beijada,
    Que te veio a desbotar?

    Deixa-os: pálida ou corada,
    Ou isenta ou namorada,
    Que brilhe no prado flor,
    Que fulja no céu estrela,
    Ainda é ditosa e bela
    Se lhe dão só um amor.

    Ai!, deixa-os, e no meu seio
    Vem, querida, sem receio
    Vem a frente reclinar.
    Que pálida estás, que linda!
    Oh!, quanto mais te amo ainda
    Dês que te fiz desbotar.

    Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 6:18 pm

    Estes Sítios

    Olha bem estes sítios queridos,
    Vê-os bem neste olhar derradeiro...
    Ai! o negro dos montes erguidos,
    Ai! o verde do triste pinheiro!
    Que saudade que deles teremos...
    Que saudade! ai, amor, que saudade!
    Pois não sentes, neste ar que bebemos,
    No acre cheiro da agreste ramagem,
    Estar-se alma a tragar liberdade
    E a crescer de inocência e vigor!
    Oh! aqui, aqui só se engrinalda
    Da pureza da rosa selvagem,
    E contente aqui só vive Amor.
    O ar queimado das salas lhe escalda
    De suas asas o níveo candor,
    E na frente arrugada lhe cresta
    A inocência infantil do pudor.
    E oh! deixar tais delícias como esta!
    E trocar este céu de ventura
    Pelo inferno da escrava cidade!
    Vender alma e razão à impostura,
    Ir saudar a mentira em sua corte,
    Ajoelhar em seu trono à vaidade,
    Ter de rir nas angústias da morte,
    Chamar vida ao terror da verdade...
    Ai! não, não... nossa vida acabou,
    Nossa vida aqui toda ficou
    Diz-lhe adeus neste olhar derradeiro,
    Dize à sombra dos montes erguidos,
    Dize-o ao verde do triste pinheiro,
    Dize-o a todos os sítios queridos
    Desta rude, feroz soledade,
    Paraíso onde livres vivemos,
    Oh! saudades que dele teremos,
    Que saudade! ai, amor, que saudade!

    Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 6:23 pm

    Ai, Helena!

    Ai, Helena!, de amante e de esposo
    Já o nome te faz suspirar,
    Já tua alma singela pressente
    Esse fogo de amor delicioso
    Que primeiro nos faz palpitar! ...
    Oh!, não vás, donzelinha inocente,
    Não te vás a esse engano entregar:
    E amor que te ilude e te mente,
    É amor que te há-de matar!
    Quando o Sol nestes montes desertos
    Deixa a luz derradeira apagar,
    Com as trevas da noite que espanta
    Vêm os anjos do Inferno encobertos
    A sua vítima incauta afagar.
    Doce é a voz que adormece e quebranta,
    Mas a mão do traidor ...faz gelar.
    Treme, foge do amor que te encanta,
    É amor que te há-de matar.

    Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 6:35 pm

    MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE



    Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de Setembro de 1765Lisboa, 21 de Dezembro de 1805) foi um poeta português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Embora ícone deste movimento literário, é uma figura inserida num período de transição do estilo clássico para o estilo romântico que terá forte presença na literatura portuguesa do século XIX.

    Apesar das numerosas biografias publicadas após a sua morte, boa parte da sua vida permanece um mistério. Não se sabe que estudos fez, embora se deduza da sua obra que estudou os clássicos e as mitologias grega e latina, que estudou francês e também latim. A identificação das mulheres que amou é duvidosa e discutível.

    AUTO-RETRATO

    Magro, de olhos azuis, carão moreno,
    Bem servido de pés, meão na altura,
    Triste de facha, o mesmo de figura,
    Nariz alto no meio, e não pequeno:

    Incapaz de assistir num só terreno,
    Mais propenso ao furor do que à ternura;
    Bebendo em níveas mãos por taça escura
    De zelos infernais letal veneno:

    Devoto incensador de mil deidades
    (Digo, de moças mil) num só momento
    E sômente no altar amando os frades:

    Eis Bocage, em quem luz algum talento;
    Saíram dele mesmo estas verdades
    Num dia em que se achou mais pachorrento.

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 6:40 pm

    Importuna Razão, não me persigas

    Importuna Razão, não me persigas;
    Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
    Se a lei de Amor, se a força da ternura
    Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;

    Se acusas os mortais, e os não abrigas,
    Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
    Deixa-me apreciar minha loucura,
    Importuna Razão, não me persigas.

    É teu fim, teu projecto encher de pejo
    Esta alma, frágil vítima daquela
    Que, injusta e vária, noutros laços vejo.

    Queres que fuja de Marília bela,
    Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
    É carpir, delirar, morrer por ela.

    Bocage

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    Humor : ser a criança que existe em nós

    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 9:25 pm

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Os pinheiros gemem quando passa o vento
    O sol bate no chão e as pedras ardem.
    Longe caminham os deuses fantásticos do mar
    Brancos de sal e brilhantes como peixes.
    Pássaros selvagens de repente,
    Atirados contra a luz como pedradas,
    Sobem e morrem no céu verticalmente
    E o seu corpo é tomado nos espaços.
    As ondas marram quebrando contra a luz
    A sua fronte ornada de colunas.
    E uma antiquíssima nostalgia de ser mastro
    Baloiça nos pinheiros.

    Sophia de Mello Breyner Andresen
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 9:53 pm

    Negra fera, que a tudo as garras lanças

    Negra fera, que a tudo as garras lanças,
    Já murchaste, insensível a clamores,
    Nas faces de Tirsália as rubras flores,
    Em meu peito as viçosas esperanças.

    Monstro, que nunca em teus estragos cansas,
    Vê as três Graças, vê os nus Amores
    Como praguejam teus cruéis furores,
    Ferindo os rostos, arrancando as tranças!

    Domicílio da noute, horror sagrado,
    Onde jaz destruída a formosura,
    Abre-te, dá lugar a um desgraçado.

    Eis desço, eis cinzas palpo... Ah, Morte dura!
    Ah, Tirsália! Ah, meu bem, rosto adorado!
    Torna, torna a fechar-te, ó sepultura!


    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 9:54 pm

    Soneto Ditado na Agonia

    Já Bocage não sou!... À cova escura
    Meu estro vai parar desfeito em vento...
    Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
    Leve me torne sempre a terra dura;

    Conheço agora já quão vã figura,
    Em prosa e verso fez meu louco intento:
    Musa!... Tivera algum merecimento
    Se um raio da razão seguisse pura.

    Eu me arrependo; a língua quasi fria
    Brade em alto pregão à mocidade,
    Que atrás do som fantástico corria:

    Outro Aretino fui... a santidade
    Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
    Rasga meus versos, crê na eternidade!.


    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 9:55 pm

    Ó retrato da morte! Ó Noite amiga

    Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
    Por cuja escuridão suspiro há tanto!
    Calada testemunha de meu pranto,
    De meus desgostos secretária antiga!

    Pois manda Amor que a ti sòmente os diga
    Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
    Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
    Dorme a cruel que a delirar me obriga.

    E vós, ó cortesãos da escuridade,
    Fantasmas vagos, mochos piadores,
    Inimigos, como eu, da claridade!

    Em bandos acudi aos meus clamores;
    Quero a vossa medonha sociedade,
    Quero fartar o meu coração de horrores.


    Bocage

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Mar 15, 2010 9:56 pm

    Meu ser evaporei na luta insana

    Meu ser evaporei na luta insana
    Do tropel de paixões que me arrastava:
    Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
    Em mim quasi imortal a essência humana!

    De que inúmeros sóis a mente ufana
    Existência falaz me não dourava!
    Mas eis sucumbe Natureza escrava
    Ao mal, que a vida em sua origem dana.

    Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
    Esta alma, que sedenta em si não coube,
    No abismo vos sumiu dos desenganos

    Deus, ó Deus!... quando a morte a luz me roube,
    Ganhe um momento o que perderam anos,
    Saiba morrer o que viver não soube.


    Bocage

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