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     Poetas Portugueses

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    Maria Ernestina Carvalho
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Jun 29, 2010 6:12 pm

    PINHAL DO REI

    Catedral verde e sussurrante, aonde
    a luz se ameiga e se esconde
    e aonde, ecoando a cantar,
    se alonga e se prolonga a longa voz do mar:
    ditoso o "Lavrador" que a seu contento
    por suas mãos semeou este jardim;
    ditoso o Poeta que lançou ao vento
    esta canção sem fim...

    Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
    que vedes no mar?
    Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
    rei D. Dinis, bom poeta e mau marido,
    lá vem as velidas bailar e cantar.

    Encantado jardim da minha infância,
    aonde a minh'alma aprendeu;
    a música do Longe e o ritmo da Distância
    que a tua voz marítima lhe deu;
    místico órgão cujo além se esfuma
    no além do Oceano, e onde a maresia
    ameiga e dissolve em bruma,
    e em penumbra de nave, a luz do dia.
    Por estes fundos claustros gemem
    os ais do Velho do Restelo...
    Mas tu debruças-te no mar e, ao vê-lo,
    teus velhos troncos de saudades fremem...

    Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
    que vedes no mar?
    Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
    são as caravelas, teu corpo cortado,
    é lo verde pino no mar a boiar.

    Afonso Lopes Vieira
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Jul 02, 2010 1:20 pm

    CAVALEIRO DO CAVALO DE PAU




    Vai a galope o cavaleiro e sem cessar
    Galopando no ar sem mudar de lugar.

    E galopa e galopa e galopa, parado,
    E galopa sem fim nas tábuas do sobrado.

    Oh!, que brabo corcel, que doídas galopadas,
    – Crinas de estopa ao vento e as narinas pintadas!

    Em curvas pelo ar, em velozes carreiras,
    O cavalo de pau é o terror das cadeiras!

    E o cavaleiro nunca muda de lugar,
    A galopar, a galopar a galopar!…

    Afonso Lopes Vieira
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Jul 05, 2010 11:29 pm

    OS BOIS

    Os bois! Fortes e mansos, os boizinhos,
    - leões com corações de passarinhos!

    Os bois! Os grandes bois, esses gigantes,
    tão amigos, tão úteis, tão possantes!

    Vede os bois a puxar, pelas estradas,
    aquelas pesadíssimas carradas.

    O corpo deles, com o esforço, freme,
    e o carro geme, longamente geme...

    E à noite, pela estrada tão sòzinha,
    o carro geme, geme, e lá caminha...

    E parece, pela noite envolta em treva,
    que é o carro a chorar por quem o leva.

    Vede o boi a puxar à velha nora,
    que parece também que chora, chora...

    A nora chora, e o boi, cansadamente,
    anda à roda, anda à roda, longamente...

    E parece pela tarde erma que expira,
    que é a água a chorar por quem a tira.

    Mas vede os bois, também, nessa alegria
    de trabalhar na terra à luz do dia!

    Vede os bois a puxar ao arado, agora
    que o lavrador conduz pelo campo fora!

    Eis um canto de amor no ar se espalha:
    - é a terra a cantar por quem trabalha!

    O arado rasga a terra, e os bois, passando,
    com os seus olhos a vão abençoando.
    Sem as suas fadigas e canseiras,
    não teriam florido as sementeiras!

    Sem a sua força, sem a sua dor,
    não estava rindo a terra toda em flor!...

    Afonso Lopes Vieira

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Jul 07, 2010 12:16 pm

    O Cão

    O cão que faz ão ão
    É bom amigo como os que são
    É bom amigo, bom companheiro
    É valente, fiel, verdadeiro
    E leal serviçal.
    Tem bom coração
    Que o diga o seu dono
    Se ele o tem ou não
    Quem vem de fora,
    E chega a casa, é o cão
    Quem diz primeiro
    Todo prazenteiro,
    Saltando e rindo
    Contente,
    E com olhos a brilhar de amor:
    - Ora seja bem vindo
    O meu senhor.
    O cão que faz ão ão
    É bom amigo como os que são.

    Afonso Lopes Vieira

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Jul 13, 2010 12:36 am

    O Gato

    O gato, à sua janela,

    ao Sol, que brilha fulgindo,
    vai dormindo
    vai pensando
    e vai sonhando:

    - «Ó minha linda casinha,
    tu és minha, muito minha,
    nem há outra melhor que ela ...»

    O gato, à sua janela,
    ao Sol, que brilha fulgindo,
    vai dormindo,
    vai pensando
    e vai sonhando:

    - «Pelas noites de invernia,
    quando o vento, num lamento
    muito lento, muito longo,
    muito fundo, de agonia,
    ruge e muge,
    e a chuva bate à janela,
    nos vidros fina a tinir...,
    ai com é bom,
    ai como é bom dormir
    ao serão, todo enroscado
    ao pé do lume doirado,
    fazendo ron-ron, ron-ron..."

    -«Ó minha linda casinha,
    tu és minha, muito minha,
    nem há outra melhor que ela ...»

    O gato, à sua janela,
    ao Sol, que brilha fulgindo,
    vai pensando,
    vai dormindo
    e vai sonhando:

    - «Não tenho inveja a ninguém:
    nem aos pássaros no ar
    a voar,
    nem aos cavalos saltando,
    galopando,
    nem as peixinhos no mar
    a nadar;
    não tenho inveja a ninguém,
    aqui da minha janela
    onde me sinto tão bem ...»

    - «Ó minha linda casinha,
    tu és minha, muito minha,
    nem há outra melhor que ela ...» "


    In Animais nossos Amigos
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qui Jul 15, 2010 11:45 pm

    As Abelhas

    As abelhas, pequeninas,
    São cuidadosas,
    Habilidosas,
    Laboriosas,
    Muito ladinas.

    Doiradas, ao sol doirado,
    Colhem nas flores do prado
    O cheiro tão perfumado.
    E dizem, ao aspirá-lo
    No vergel, à luz do sol;
    - Que rico cheiro! É um regalo!
    Vamos já já transformá-lo
    No mel e na cera mole!

    E andavam a voar,
    Sem descansar,
    A trabalhar
    Alegremente,
    De sol nascente
    A sol poente,
    Constantemente,
    Sempre a cantar.

    Vivem voando
    E trabalhando
    No seu serviço
    Lá no cortiço.


    In Animais nossos Amigos
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Jul 23, 2010 11:47 pm

    Linda Inês

    Choram ainda a tua morte escura
    Aquelas que chorando a memoraram;
    As lágrimas choradas não secaram
    Nos saudosos campos da ternura.

    Santa entre as santas pela má ventura,
    Rainha, mais que todas que reinaram;
    Amada, os teus amores não passaram
    E és sempre bela e viva e loira e pura.

    O Linda, sonha aí, posta em sossêgo
    No teu muymento de alva pedra fina,
    Como outrora na Fonte do Mondego.

    Dorme, sombra de graça e de saudade,
    Colo de Garça, amor, moça menina,
    Bem-amada por toda a eternidade !

    Afonso Lopes Vieira


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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sab Jul 24, 2010 4:31 am

    Tina:

    Só para te dizer que estou sempre por aqui rssss.

    Bjs
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Jul 27, 2010 7:43 pm

    ILHAS DE BRUMA
    SAUDADES TRÁGICO-MARÍTIMAS

    Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.
    Na praia, de bruços,
    fico sonhando, fico-me escutando
    o que em mim sonha e lembra e chora alguém;
    e oiço nesta alma minha
    um longínquo rumor de ladainha,
    e soluços,
    de além...

    Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

    São meus Avós rezando,
    que andaram navegando e que se foram,
    olhando todos os céus;
    são eles que em mim choram
    seu fundo e longo adeus,
    e rezam na ânsia crua dos naufrágios;
    choram de longe em mim, e eu oiço-os bem,
    choram ao longe em mim sinas, presságios,
    de além, de além...

    Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

    Naufraguei cem vezes já...
    Uma, foi na nau S. Bento,
    e vi morrer, no trágico tormento,
    Dona Leonor de Sá:
    vi-a nua, na praia áspera e feia,
    com os olhos implorando
    – olhos de esposa e mãe -
    e vi-a, seus cabelos desatando,
    cavar a sua cova e enterrar-se na areia.
    – E sozinho me fui pela praia além...

    Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

    Escuto em mim, – oiço a grita
    da rude gente aflita:
    – Senhor Deus, misericórdia!
    – Virgem Mãe, misericórdia!
    Doidos de fome e de terror varados,
    gritamos nossos pecados,
    e sai de cada boca rouca e louca
    a confissão!
    – Senhor Deus, misericórdia!
    – Misericórdia, Virgem Mãe!
    e o vento geme
    no bulcão
    sem astros;
    anoitecemos sem leme,
    amanhecemos sem mastros!
    E o mar e o céu, sem fim, além...

    Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

    Ah! Deus por certo conhece
    minha voz que se ergue, branca e sozinha,
    – flor de angústia a subir aos céus varados
    p'la dor da ladainha!
    Transido, o clamor da prece
    do mesmo sangue nos veio
    Deus conhece os meus olhos alongados;
    onde o mar e o céu deixaram
    um pouco de vago anseio
    nesse mistério longo do seu halo...
    Rezam em mim os outros que rezaram,
    e choraram também;
    há um pranto português, e eu sei chorá-lo
    com lágrimas de além...

    Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

    Ó meu amor, repara
    nos meus olhos, na sua mágoa clara!
    Ainda é de além
    o meu olhar de amor
    e o meu beijo também.
    Se sou triste, é de outrora a minha pena,
    de longe a minha dor
    e a minha ansiedade.
    Vês como te amo, vês?
    Meu sangue é português,
    minha pele é morena,
    minha graça a Saudade,
    meus olhos longos de escutar sem fim
    o além, em mim...

    Chora no ritmo do meu sangue, o Mar


    Afonso Lopes Vieira


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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Ago 06, 2010 11:38 pm


    A Flor do mar avançando


    Navegava, navegava,
    Lá para onde se via
    O vulto que ela buscava.

    A Flor do mar avançando
    Navegava, navegava,
    Lá para onde se via
    O vulto que ela buscava.

    Era tão grande, tão grande
    Que a vista toda tapava.

    E Bartolomeu erguido
    Aos marinheiros bradava
    Que ninguém tivesse medo
    Do gigante que ali estava.

    E mais perto agora estão
    Do que procurando vão!

    Bartolomeu que viu?
    Que descobriu o valente?
    - Que o gigante era um penedo
    que tinha forma de gente?

    Que era dantes o mar? Um quarto escuro
    Onde os meninos tinham medo de ir.
    Agora o mar é livre e é seguro
    E foi um português que o foi abrir.


    Afonso Lopes Vieira

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Ago 13, 2010 6:16 pm

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Ago 30, 2010 10:59 pm

    ESPUMA

    Mais leve que a pluma
    que no ar balança,
    pela praia dança
    a ligeira espuma.
    Dançando se afaga
    no alado bailar!
    Pétalas de vaga, poeiras do mar...

    E na dança etérea,
    que imparável ronda!
    Bafo de matéria,
    penugem da onda.


    Afonso Lopes Vieira

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Ago 30, 2010 11:01 pm

    O Encoberto

    Cavaleiro do Sonho e do Desejo,
    guarda no santo Graal,
    com a nossa Saudade e o nosso Beijo,
    - o sangue de Portugal.

    Sonho de além e de glória,
    há tanto, há tanto
    o sonha um Povo inteiro!
    Maravilha e encanto
    da nossa história:
    - oh Manhã de Nevoeiro...

    Oh manhã misteriosa
    que alvoreces em nós teu rompante claror,
    teu messiânico alvor,
    manhã de além, alva saudosa,
    - tu és nossa força que não passa,
    teu sonho em nós revive ao longe e ao perto,
    manhã sem dia, oh manhã de Graça,
    em que há de vir o Encoberto...

    Místico Paladino iluminado,
    que ao areal arrastou nossa alma em flor
    e jogou a sorrir nosso destino e sorte,
    ele era vivo antes de Desejado,
    ele era vivo em nosso sonho e amor,
    - e nunca o levou a morte!

    Ele é vivo e é eterno! Horas ansiadas
    em que o sinto, no meu sangue, em mim...
    Ele vive nas Ilhas Encantadas
    da nossa alma sem fim...

    E, oh maravilha!
    em toda a hora do perigo e do temor,
    o Encoberto volta da sua Ilha,
    e salva-nos, e salva-nos, Senhor!...

    E a Esperança imortal,
    surda palpita na manhã rompente!
    Cerra-se a névoa alucinadamente,
    Portugal boia no nevoeiro...

    E o Cavaleiro
    do Sonho e do Desejo
    guarda no Santo Graal,
    com a nossa Saudade e o nosso Beijo,
    - o sangue de Portugal.


    Afonso Lopes Vieira
    (In Ilhas de Bruma)

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qui Set 02, 2010 11:20 pm

    Mário de Sá-Carneiro



    Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do Modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.
    Nasceu, no seio de uma abastada família alto-burguesa, sendo filho e neto de militares. Órfão de mãe com apenas dois anos (1892), ficou entregue ao cuidado dos avós, indo viver para a Quinta da Vitória, na freguesia de Camarate, às portas de Lisboa, aí passando grande parte da infância.
    Inicia-se na poesia com doze anos, sendo que aos quinze já traduzia Victor Hugo, e com dezesseis, Goethe e Schiller. No liceu teve ainda algumas experiências episódicas como ator, e começa a escrever.
    Em 1911, com dezenove anos, vai para Coimbra, onde se matricula na Faculdade de Direito, mas não conclui sequer o ano. Em 1912 veio a conhecer aquele que foi, sem dúvida, o seu melhor amigo – Fernando Pessoa.


    A sala do castelo é deserta e espelhada

    Tenho medo de Mim. Quem sou? De onde cheguei?...
    Aqui, tudo já foi... Em sombra estilizada,
    A cor morreu --- e até o ar é uma ruína...
    Vem de Outro tempo a luz que me ilumina ---
    Um som opaco me dilui em Rei...

    Mário de Sá-Carneiro


    (retirado da net)

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qui Set 02, 2010 11:22 pm

    Último Soneto

    Que rosas fugitivas foste ali!
    Requeriam-te os tapetes, e vieste...
    --- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
    É justo, porque muito te devi.

    Em que seda de afagos me envolvi
    Quando entraste, nas tardes que apareceste!
    Como fui de percal quando me deste
    Tua boca a beijar, que remordi...

    Pensei que fosse o meu o teu cansaço ---
    Que seria entre nós um longo abraço
    O tédio que, tão esbelta, te curvava...

    E fugiste... Que importa? Se deixaste
    A lembrança violeta que animaste,
    Onde a minha saudade a Cor se trava?...


    Mário de Sá-Carneiro

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qui Set 02, 2010 11:24 pm

    Torniquete

    A tômbola anda depressa,
    Nem sei quando irá parar ---
    Aonde, pouco me importa;
    O importante é que pare...
    --- A minha vida não cessa
    De ser sempre a mesma porta
    Eternamente a abanar...

    Abriu-se agora o salão
    Onde há gente a conversar.
    Entrei sem hesitação ---
    Somente o que se vai dar?
    A meio da reunião,
    Pela certa disparato,
    Volvo a mim a todo o pano:

    Às cambalhotas desato,
    E salto sobre o piano...
    --- Vai ser bonita a função!
    Esfrangalho as partituras,
    Quebro toda a caqueirada,
    Arrebento à gargalhada,
    E fujo pelo saguão...

    Meses depois, as gazetas
    Darão críticas completas,
    Indecentes e patetas,
    Da minha última obra...
    E eu --- prà cama outra vez,
    Curtindo febre e revés,
    Tocado de Estrela e Cobra...

    Mário de Sá-Carneiro

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Set 03, 2010 1:09 pm

    A Inegualável

    Ai, como eu te queria toda de violetas
    E flébil de setim...
    Teus dedos longos, de marfim,
    Que os sombreassem joias pretas...

    E tão febril e delicada
    Que não podesses dar um passo -
    Sonhando estrelas, transtornada,
    Com estampas de côr no regaço...

    Queria-te nua e friorenta,
    Aconchegando-te em zibelinas -
    Sonolenta,
    Ruiva de éteres e morfinas...

    Ah! que as tuas nostalgias fôssem guisos de prata -
    Teus frenesis, lantejoulas;
    E os ócios em que estiolas,
    Luar que se desbarata...

    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

    Teus beijos, queria-os de tule,
    Transparecendo carmim -
    Os teus espasmos, de sêda...

    - Água fria e clara numa noite azul,
    Água, devia ser o teu amor por mim...

    Mário de Sá-Carneiro, in 'Indícios de Oiro'



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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Set 03, 2010 1:11 pm

    Taciturno

    Há Ouro marchetado em mim, a pedras raras,
    Ouro sinistro em sons de bronzes medievais -
    Joia profunda a minha Alma a luzes caras,
    Cibório triangular de ritos infernais.

    No meu mundo interior cerraram-se armaduras,
    Capacetes de ferro esmagaram Princesas.
    Toda uma estirpe rial de herois d'Outras bravuras
    Em mim se despojou dos seus brazões e presas.

    Heraldicas-luar sobre ímpetos de rubro,
    Humilhações a liz, desforços de brocado;
    Bazilicas de tédio, arnezes de crispado,
    Insignias de Ilusão, troféus de jaspe e Outubro...

    A ponte levadiça e baça de Eu-ter-sido
    Enferrujou - embalde a tentarão descer...
    Sobre fossos de Vago, ameias de inda-querer -
    Manhãs de armas ainda em arraiais de olvido...

    Percorro-me em salões sem janelas nem portas,
    Longas salas de trôno a espessas densidades,
    Onde os pânos de Arrás são esgarçadas saudades,
    E os divans, em redór, ansias lassas, absortas...

    Ha rôxos fins de Imperio em meu renunciar -
    Caprichos de setim do meu desdem Astral...
    Ha exéquias de herois na minha dôr feudal -
    E os meus remorsos são terraços sobre o Mar...

    Mário de Sá-Carneiro, in 'Indícios de Oiro'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sex Set 03, 2010 1:14 pm

    Quási

    Um pouco mais de sol - eu era brasa,
    Um pouco mais de azul - eu era além.
    Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
    Se ao menos eu permanecesse àquem...

    Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
    Num baixo mar enganador de espuma;
    E o grande sonho despertado em bruma,
    O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...

    Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
    Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
    Mas na minh'alma tudo se derrama...
    Entanto nada foi só ilusão!

    De tudo houve um começo... e tudo errou...
    - Ai a dôr de ser-quási, dor sem fim... -
    Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
    Asa que se elançou mas não voou...

    Momentos d'alma que desbaratei...
    Templos aonde nunca pus um altar...
    Rios que perdi sem os levar ao mar...
    Ansias que foram mas que não fixei...

    Se me vagueio, encontro só indicios...
    Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
    E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
    Puseram grades sôbre os precipícios...

    Num impeto difuso de quebranto,
    Tudo encetei e nada possuí...
    Hoje, de mim, só resta o desencanto
    Das coisas que beijei mas não vivi...

    . . . . . . . . . . . . . . .
    . . . . . . . . . . . . . . .

    Um pouco mais de sol - e fôra brasa,
    Um pouco mais de azul - e fôra além.
    Para atingir, faltou-me um golpe de aza...
    Se ao menos eu permanecesse àquem...

    Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'


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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qui Set 09, 2010 2:20 pm

    A Queda

    E eu que sou o rei de toda esta incoerência,
    Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
    E giro até partir... Mas tudo me resvala
    Em bruma e sonolência.

    Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de ouro,
    Volve-se logo falso... ao longe o arremesso...
    Eu morro de desdém em frente dum tesouro,
    Morro á mingua, de excesso.

    Alteio-me na côr à fôrça de quebranto,
    Estendo os braços de alma - e nem um espasmo venço!...
    Peneiro-me na sombra - em nada me condenso...
    Agonias de luz eu vibro ainda entanto.

    Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,
    - Vencer ás vezes é o mesmo que tombar -
    E como inda sou luz, num grande retrocesso,
    Em raivas ideais, ascendo até ao fim:
    Olho do alto o gêlo, ao gêlo me arremesso...

    . . . . . . . . . . . . . . .

    Tombei...
    E fico só esmagado sobre mim!...

    Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Dom Set 12, 2010 2:29 pm

    Vontade de Dormir

    Fios d'ouro puxam por mim
    A soerguer-me na poeira -
    Cada um para o seu fim,
    Cada um para o seu norte...
    . . . . . . . . . . . . . . .

    - Ai que saudade da morte...
    . . . . . . . . . . . . . . .

    Quero dormir... ancorar...
    . . . . . . . . . . . . . . .

    Arranquem-me esta grandeza!
    - Pra que me sonha a beleza,
    Se a não posso transmigrar?...

    Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Dom Set 12, 2010 2:33 pm

    16

    ...............................

    * * *

    Há sempre um grande Arco ao fundo dos meus olhos...
    A cada passo a minha alma é outra cruz,
    E o meu coração gira: é uma roda de côres...
    Não sei aonde vou, nem vejo o que persigo...
    Já não é o meu rastro o rastro d'oiro que ainda sigo...
    Resvalo em pontes de gelatina e de bolôres...
    Hoje, a luz para mim é sempre meia-luz...
    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

    As mesas do Café endoideceram feitas ar...
    Caiu-me agora um braço... Olha, lá vai êle a valsar
    Vestido de casaca, nos salões do Vice-Rei...

    (Subo por mim acima como por uma escada de corda,
    E a minha Ansia é um trapézio escangalhado...).

    Mário de Sá-Carneiro, in 'Indícios de Oiro'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Set 20, 2010 1:51 pm

    ÂNGULO

    Aonde irei neste sem-fim perdido,
    Neste mar ôco de certezas mortas? -
    Fingidas, afinal, todas as portas
    Que no dique julguei ter construido...

    - Barcaças dos meus impetos tigrados,
    Que oceano vos dormiram de Segrêdo?
    Partiste-vos, transportes encantados,
    De embate, em alma ao rôxo, a que rochêdo?...

    - Ó nau de festa, ó ruiva de aventura
    Onde, em Champanhe, a minha ânsia ia,
    Quebraste-vos também ou, por ventura,
    Fundeaste a Ouro em portos d'alquimia?...

    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

    Chegaram à baía os galeões
    Com as sete Princesas que morreram.
    Regatas de luar não se correram...
    As bandeiras velaram-se, orações...

    Detive-me na ponte, debruçado,
    Mas a ponte era falsa - e derradeira.
    Segui no cais. O cais era abaulado,
    Cais fingido sem mar á sua beira...

    - Por sôbre o que Eu não sou há grandes pontes
    Que um outro, só metade, quer passar
    Em miragens de falsos horizontes -
    Um outro que eu não posso acorrentar...

    Mário de Sá-Carneiro, in 'Indícios de Oiro'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Set 21, 2010 6:59 pm

    Vislumbre

    A horas flébeis, outonais -
    Por magoados fins de dia -
    A minha Alma é água fria
    Em ânforas d'Ouro... entre cristais...


    7

    Eu não sou eu nem sou o outro,
    Sou qualquer coisa de intermédio:
    Pilar da ponte de tédio
    Que vai de mim para o Outro.

    Mário de Sá-Carneiro, in 'Indícios de Oiro'

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Dom Set 26, 2010 2:04 am

    Tina:

    Estou lendo todos os poemas que colocas; não conhecia a maior parte ou praticamente nada de Sá Carneiro. Muito bom.

    Bjs,



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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Dom Set 26, 2010 2:55 pm

    Oi Alexandre

    Este é um autor que demonstra, no que escreve, o seu desencanto pela vida...


    Bjs.

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Dom Set 26, 2010 2:56 pm

    Estátua Falsa

    Só de ouro falso os meus olhos se douram;
    Sou esfinge sem mistério no poente.
    A tristeza das coisas que não foram
    Na minha'alma desceu veladamente.

    Na minha dor quebram-se espadas de ânsia,
    Gomos de luz em treva se misturam.
    As sombras que eu dimano não perduram,
    Como Ontem, para mim, Hoje é distancia.

    Já não estremeço em face do segredo;
    Nada me aloira já, nada me aterra:
    A vida corre sobre mim em guerra,
    E nem sequer um arrepio de mêdo!

    Sou estrêla ébria que perdeu os céus,
    Sereia louca que deixou o mar;
    Sou templo prestes a ruir sem deus,
    Estátua falsa ainda erguida ao ar...

    Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'

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