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     Poetas Portugueses

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    MensagemAssunto: Poetas Portugueses   Sab Jan 30, 2010 9:30 pm

    LUÍS DE CAMÕES





    Luís Vaz de Camões (c. 152410 de Junho de 1580), filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá, é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare; das suas obras, a epopéia Os Lusíadas é a mais significativa.

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    Última edição por Maria Ernestina Carvalho em Seg Fev 08, 2010 6:21 pm, editado 1 vez(es)
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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sab Jan 30, 2010 9:30 pm

    Amor é fogo que arde sem se ver

    Amor é fogo que arde sem se ver;
    É ferida que dói e não se sente;
    É um contentamento descontente;
    É dor que desatina sem doer;

    É um não querer mais que bem querer;
    É solitário andar por entre a gente;
    É nunca contentar-se de contente;
    É cuidar que se ganha em se perder;

    É querer estar preso por vontade;
    É servir a quem vence, o vencedor;
    É ter com quem nos mata lealdade.

    Mas como causar pode seu favor
    Nos corações humanos amizade,
    Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Sab Jan 30, 2010 9:31 pm

    Verdes são os campos

    Verdes são os campos,
    De cor de limão:
    Assim são os olhos
    Do meu coração.

    Campo, que te estendes
    Com verdura bela;
    Ovelhas, que nela
    Vosso pasto tendes,
    De ervas vos mantendes
    Que traz o Verão,
    E eu das lembranças
    Do meu coração.

    Gados que pasceis
    Com contentamento,
    Vosso mantimento
    Não no entendereis;
    Isso que comeis
    Não são ervas, não:
    São graças dos olhos
    Do meu coração.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Dom Jan 31, 2010 3:12 pm

    Enquanto quis Fortuna que tivesse

    Enquanto quis Fortuna que tivesse
    Esperança de algum contentamento,
    O gosto de um suave pensamento
    Me fez que seus efeitos escrevesse.

    Porém, temendo Amor que aviso desse
    Minha escritura a algum juízo isento,
    Escureceu-me o engenho co'o tormento,
    Para que seus enganos não disesse

    Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
    A diversas vontades! Quando lerdes
    Num breve livro casos tão diversos,

    Verdades puras são e não defeitos;
    E sabei que, segundo o amor tiverdes,
    Tereis o entendimento de meus versos.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Dom Jan 31, 2010 3:15 pm

    Descalça vai para a fonte

    Descalça vai para a fonte
    Leanor pela verdura;
    Vai fermosa, e não segura.

    Leva na cabeça o pote,
    O testo nas mãos de prata,
    Cinta de fina escarlata,
    Sainho de chamelote;
    Traz a vasquinha de cote,
    Mais branca que a neve pura.
    Vai fermosa e não segura.

    Descobre a touca a garganta,
    Cabelos de ouro entrançado
    Fita de cor de encarnado,
    Tão linda que o mundo espanta.
    Chove nela graça tanta,
    Que dá graça à fermosura.
    Vai fermosa e não segura.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qui Fev 04, 2010 1:46 am

    Perdigão perdeu a pena

    Perdigão perdeu a pena
    Não há mal que lhe não venha.

    Perdigão que o pensamento
    Subiu a um alto lugar,
    Perde a pena do voar,
    Ganha a pena do tormento.
    Não tem no ar nem no vento
    Asas com que se sustenha:
    Não há mal que lhe não venha.

    Quis voar a u~a alta torre,
    Mas achou-se desasado;
    E, vendo-se depenado,
    De puro penado morre.
    Se a queixumes se socorre,
    Lança no fogo mais lenha:
    Não há mal que lhe não venha.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Dom Fev 07, 2010 3:14 pm

    Eu cantarei de amor tão docemente

    Eu cantarei de amor tão docemente,
    Por uns termos em si tão concertados,
    Que dois mil acidentes namorados
    Faça sentir ao peito que não sente.

    Farei que amor a todos avivente,
    Pintando mil segredos delicados,
    Brandas iras, suspiros magoados,
    Temerosa ousadia e pena ausente.

    Também, Senhora, do desprezo honesto
    De vossa vista branda e rigorosa,
    Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

    Porém, pera cantar de vosso gesto
    A composição alta e milagrosa
    Aqui falta saber, engenho e arte.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Dom Fev 07, 2010 3:46 pm

    No mundo quis o Tempo que se achasse

    No mundo quis o Tempo que se achasse
    O bem que por acerto ou sorte vinha;
    E, por exprimentar que dita tinha,
    Quis que a Fortuna em mim se exprimentasse.

    Mas por que meu destino me mostrasse
    Que nem ter esperanças me convinha,
    Nunca nesta tão longa vida minha
    Cousa me deixou ver que desejasse.

    Mudando andei costume, terra e estado,
    Por ver se se mudava a sorte dura;
    A vida pus nas mãos de um leve lenho.

    Mas, segundo o que o Céu me tem mostrado,
    Já sei que deste meu buscar ventura
    Achado tenho já que não a tenho.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Fev 08, 2010 2:35 am

    Olá a todos!

    Bem Tina vim te ajudar um pouco.
    Quando me quer enganar

    Quando me quer enganar
    A minha bela perjura,
    Pera mais me confirmar
    O que quer certificar,
    Pelos seus olhos mo jura.
    Como meu contentamento
    Todo se rege por eles,
    Imagina o pensamento
    Que se faz agravo a eles
    Não crer tão grão juramento.

    Porém, como em casos tais
    Ando já visto e corrente,
    Sem outros certos sinais,
    Quanto me ela jura mais,
    Tanto mais cuido que mente.
    Então, vendo-lhe ofender
    Uns tais olhos como aqueles,
    Deixo-me antes tudo crer,
    Só pela não constranger
    A jurar falso por eles.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Fev 08, 2010 6:22 pm

    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
    Muda-se o ser, muda-se a confiança;
    Todo o mundo é composto de mudança,
    Tomando sempre novas qualidades.

    Continuamente vemos novidades,
    Diferentes em tudo da esperança;
    Do mal ficam as mágoas na lembrança,
    E do bem, se algum houve, as saudades.

    O tempo cobre o chão de verde manto,
    Que já coberto foi de neve fria,
    E em mim converte em choro o doce canto.

    E, afora este mudar-se cada dia,
    Outra mudança faz de mor espanto:
    Que não se muda já como soía.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Fev 08, 2010 6:24 pm

    O fogo que na branda cera ardia

    O fogo que na branda cera ardia,
    Vendo o rosto gentil que na alma vejo.
    Se acendeu de outro fogo do desejo,
    Por alcançar a luz que vence o dia.

    Como de dois ardores se incendia,
    Da grande impaciência fez despejo,
    E, remetendo com furor sobejo,
    Vos foi beijar na parte onde se via.

    Ditosa aquela flama, que se atreve
    Apagar seus ardores e tormentos
    Na vista do que o mundo tremer deve!

    Namoram-se, Senhora, os Elementos
    De vós, e queima o fogo aquela nave
    Que queima corações e pensamentos.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Fev 08, 2010 6:25 pm

    O dia em que nasci moura e pereça

    O dia em que nasci moura e pereça,
    Não o queira jamais o tempo dar;
    Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
    Eclipse nesse passo o Sol padeça.

    A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
    Mostre o Mundo sinais de se acabar,
    Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
    A mãe ao próprio filho não conheça.

    As pessoas pasmadas, de ignorantes,
    As lágrimas no rosto, a cor perdida,
    Cuidem que o mundo já se destruiu.

    Ó gente temerosa, não te espantes,
    Que este dia deitou ao Mundo a vida
    Mais desgraçada que jamais se viu!

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Fev 08, 2010 6:27 pm

    Senhora minha, se de pura inveja

    Senhora minha, se de pura inveja
    Amor me tolhe a vista delicada,
    A cor, de rosa e neve semeada,
    E dos olhos a luz que o Sol deseja,

    Não me pode tolher que vos não veja
    Nesta alma, que ele mesmo vos tem dada,
    Onde vos terei sempre debuxada,
    Por mais cruel inimigo que me seja.

    Nela vos vejo, e vejo que não nasce
    Em belo e fresco prado deleitoso
    Senão flor que dá cheiro a toda a serra.

    Os lírios tendes nu~a e noutra face.
    Ditoso quem vos vir, mas mais ditoso
    Quem os tiver, se há tanto bem na terra!

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Fev 08, 2010 6:29 pm

    Nunca em amor danou o atrevimento

    Nunca em amor danou o atrevimento;
    Favorece a Fortuna a ousadia;
    Porque sempre a encolhida cobardia
    De pedra serve ao livre pensamento.

    Quem se eleva ao sublime Firmamento,
    A Estrela nele encontra que lhe é guia;
    Que o bem que encerra em si a fantasia,
    São u~as ilusões que leva o vento.

    Abrir-se devem passos à ventura;
    Sem si próprio ninguém será ditoso;
    Os princípios somente a Sorte os move.

    Atrever-se é valor e não loucura;
    Perderá por cobarde o venturoso
    Que vos vê, se os temores não remove.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Fev 08, 2010 6:31 pm

    De quantas graças tinha, a Natureza

    De quantas graças tinha, a Natureza
    Fez um belo e riquíssimo tesouro,
    E com rubis e rosas, neve e ouro,
    Formou sublime e angélica beleza.

    Pôs na boca os rubis, e na pureza
    Do belo rosto as rosas, por quem mouro;
    No cabelo o valor do metal louro;
    No peito a neve em que a alma tenho acesa.

    Mas nos olhos mostrou quanto podia,
    E fez deles um sol, onde se apura
    A luz mais clara que a do claro dia.

    Enfim, Senhora, em vossa compostura
    Ela a apurar chegou quanto sabia
    De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.

    Luís de Camões

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Fev 08, 2010 6:36 pm


    FLORBELA ESPANCA




    Florbela Espanca nasceu no Alentejo, em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894.
    Filha ilegítima de uma "criada de servir" falecida muito nova, alegadamente de "nevrose", foi registada como filha de pai incógnito, marca social ignominiosa que haveria de a marcar profundamente, apesar de curiosamente ter sido educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se ainda que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa a perfilhou, por altura da inauguração do seu busto em Évora, debaixo de cerrada insistência de um grupo de florbelianos.
    Estudou em Évora, onde concluiu o curso dos liceus em 1917. Mais tarde vai estudar para Lisboa, frequentando a Faculdade de Direito. Colaborou no Notícias de Évora e, embora esporádicamente, na Seara Nova. Foi, com Irene Lisboa, percursora do movimento de emancipação da mulher.

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Fev 08, 2010 6:37 pm

    Mais Alto


    Mais alto, sim! mais alto, mais além
    Do sonho, onde morar a dor da vida,
    Até sair de mim! Ser a Perdida,
    A que se não encontra! Aquela a quem

    O mundo não conhece por Alguém!
    Ser orgulho, ser àguia na subida,
    Até chegar a ser, entontecida,
    Aquela que sonhou o meu desdém!

    Mais alto, sim! Mais alto! A intangível!
    Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
    À rutilante luz dum impossível!

    Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
    mal da vida dentro dos meus braços,
    Dos meus divinos braços de Mulher!




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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Seg Fev 08, 2010 6:39 pm

    Vozes Do Mar


    Quando o sol vai caindo sobre as águas
    Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
    Donde vem essa voz cheia de mágoas
    Com que falas à terra, ó mar imenso?...

    Tu falas de festins, e cavalgadas
    De cavaleiros errantes ao luar?
    Falas de caravelas encantadas
    Que dormem em teu seio a soluçar?

    Tens cantos d'epopeias?Tens anseios
    D'amarguras? Tu tens também receios,
    Ó mar cheio de esperança e majestade?!

    Donde vem essa voz,ó mar amigo?...
    ... Talvez a voz do Portugal antigo,
    Chamando por Camões numa saudade!



    Florbela Espanca

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Ter Fev 09, 2010 9:15 pm

    Noites da Minha Terra

    Anda o luar espalhando fios de prata
    Pelos campos fora…Lírios a flux
    Lança o azul do céu…e a terra grata
    Transforma em mil perfumes toda a luz!

    As estrelas cadentes vão ’spalhando
    Lirios brancos também…agora a terra
    Parece noiva linda, que sonhando
    Caminha pró altar, além na serra…

    É meia-noite agora. Tudo quieto
    Na noite branda, dorme…Entreaberto
    Vai esfolhando o lírio do luar

    As alvas folhas, que cobrindo o céu,
    E todo o mar e toda a terra, um véu
    Branco,de noiva, lembra a palpitar!…


    Florbela Espanca

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    MensagemAssunto: Fernando Pessoa   Qua Fev 10, 2010 7:32 pm

    Fernando Pessoa o meu poeta favorito




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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 9:54 pm

    Olá Isabel


    Eu também gosto muito de Fernando Pessoa....
    Quem não gosta...!!!!

    Mas a minha intenção ao abrir este "Fio", er colocar informação e foto do poeta e a seguir alguns dos seus poemas...


    Bjs.

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 9:55 pm


    Sem Palavras


    Brancas, suaves mãos de irmã
    Que são mais doces que as das rainhas,
    Hão de pousar em tuas mãos, as minhas
    Numa carícia transcendente e vã.

    E a tua boca a divinal manhã
    Que diz as frases com que me acarinhas,
    Há de pousar nas dolorosas linhas
    Da minha boca purpurina e sã.

    Meus olhos hão de olhar teus olhos tristes;
    Só eles te dirão que tu existes
    Dentro de mim num riso d’alvorada!

    E nunca se amará ninguém melhor;
    Tu calando de mim o teu amor,
    Sem que eu nunca do meu te diga nada!...

    Florbela Espanca

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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 9:55 pm


    O Maior Bem


    Este querer-te bem sem me quereres,
    Este sofrer por ti constantemente,
    Andar atrás de ti sem tu me veres
    Faria piedade a toda a gente.

    Mesmo a beijar-me a tua boca mente...
    Quantos sangrentos beijos de mulheres
    Pousa na minha a tua boca ardente,
    E quanto engano nos seus vãos dizeres!...

    Mas que me importa a mim que me não queiras,
    Se esta pena, esta dor, estas canseiras,
    Este mísero pungir, árduo e profundo,

    Do teu frio desamor, dos teus desdéns,
    É, na vida, o mais alto dos meus bens?
    É tudo quanto eu tenho neste mundo?

    Florbela Espanca

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    MensagemAssunto: Fernando Pessoa   Qua Fev 10, 2010 10:18 pm

    Olá Tina,

    Quem não conhece Fernando Pessoa? Mas tudo bem aqui vai a foto.



    E mais um poema que os jovens do secundário gostam muito





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    MensagemAssunto: Re: Poetas Portugueses   Qua Fev 10, 2010 10:32 pm

    Fernando Pessoa, um dos expoente máximos do modernismo no século XX, considerava-se a si mesmo um «nacionalista místico».
    Nasceu Fernando António Nogueira Pessoa em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1888, filho de Maria Madalena Pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa.
    A juventude é passada em Lisboa, alegremente, até à morte do pai em 1893 e do irmão Jorge no ano seguinte. Estes acontecimentos, em conjunto com o facto de sua mãe ter conhecido o cônsul de Portugal em Durban, levam-no a viajar para a África do Sul. Aí vive entre 1896 e 1905. À vivência nesse país da Commonwealth pode atribuir-se uma influência decisiva ao nível cultural e intelectual, pondo-o em contacto com os grandes autores de língua inglesa.
    O Regresso a Portugal, com 17 anos, é feito com o intuito de frequentar o curso de Letras. Mas com o fracasso do curso (frequentou-o poucos meses), governa-se apenas com o seu grande conhecimento da língua inglesa, trabalhando com diversos escritórios em Lisboa em assuntos de correspondência comercial.
    Ficou sobretudo conhecido como grande prosador do modernismo (ou futurismo) em Portugal. Expressando-se tanto com o seu próprio nome, como através dos seus heterónimos. Entre estes ficaram famosos três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
    Fernando Pessoa morre a 30 de Novembro de 1935, de uma grave crise hepática induzida por anos de consumo de álcool, no hospital de S. Luís. Em vida apenas publicou um livro em Português: o poema épico Mensagem, deixando um vasto espólio que ainda hoje não foi completamente analisado e publicado.

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